FAQ
O que é a 1958 Azulejaria?
É uma azulejaria artesanal criada pelo artista belo-horizontino Alexandre Mancini que resgata e dá continuação a azulejaria brasileira, iniciada junto ao movimento de arquitetura moderna. Apresenta em seu catálogo de azulejos grafismos que têm referências na arte concreta e arquitetura moderna brasileiras, assim como no design gráfico da década de 50.
Atua na vanguarda do mercado de revestimentos cerâmicos devido à sua estética, conceito, aspectos de exclusividade e, principalmente, por utilizar uma tecnologia tradicional. Além disso, propõe ao mercado o uso de seus azulejos em fachadas, áreas externas e áreas nobres. Tem como vocação oferecer ao público interessando informações sobre a história da azulejaria brasileira ressaltando os grandes artistas e as grandes obras do passado assim como do presente e futuro.
Converge em sua essência a arte, a arquitetura e o design retomando, desta forma, conceitos de arte aplicada, arte urbana e o próprio design. Acredita na azulejaria como elemento ligado à arquitetura, valorizando-a com respeito. Concebe seus grafismos como agentes sensoriais junto aos espectadores e usuários de um espaço, ressaltando os aspectos cotidianos de forma harmônica e democrática.
Como e onde posso encontrar os azulejos da 1958?
Nos revendedores autorizados, atualmente em Belo Horizonte e Brasília, ou diretamente pelo e-mail ou telefone da 1958 Azulejaria.
Está à disposição o catálogo de azulejos onde, pelo modelo escolhido, poderá ser feito o pedido por encomenda que será produzido em um período médio de 30 dias e, então, entregue que qualquer local do Brasil via transportadora.
Porque o nome 1958 Azulejaria?
Por suas características de conceito e estética. Há a observação de que no ano de 1958 a arte, a música, o design, a arquitetura, a música entre outros atingiram uma maturidade que sintetizou muito bem tudo o que veio antes e depois. Foi um ano de muitas conquistas e prosperidade no mundo inteiro principalmente no Brasil. Poderia, no entanto, chamar-se 1956, 1957 ou 1959, não menos e não mais.
Quais são as influências da 1958?
As influências são muitas, mas coerentes. Em primeiro lugar, a região da Pampulha em Belo Horizonte – onde se situa o ateliê da 1958 – e a cidade de Brasília. Obviamente que estas duas influências foram construídas por arquitetos e artistas e estes sim, são as verdadeiras referências: Athos Bulcão, Paulo Werneck, Portinari, Oscar Niemeyer, Lúcio Costa, Burle Marx e tantos outros que com genialidade e maestria fizeram parte desta história.
Também se sublinha a cidade de Cataguases, em Minas Gerais, com suas obras de arte e arquitetura moderna; a cidade do Rio de Janeiro, que recebeu os primeiros painéis desta azulejaria brasileira; os designers Saul Bass e Reid Miles; a arte construtiva brasileira com os concretos e os neoconcretos: Almir Mavignier, Antônio Maluf, Lygia Clark, Franz Weissman, Amilcar de Castro entre tantos outros; arquitetos como Delfim Amorim, Reydi, Lelé, e o belo-horizontino Éolo Maia.
Porém, entre tantos nomes, dois primordiais são: Athos Bulcão e Paulo Rossi Osir. O primeiro por ter democratizado e ligado os azulejos à arquitetura como nunca havia acontecido e o segundo por ter executado os grandes trabalhos de azulejaria em seu ateliê.
Porque e como foi criada a 1958?
A 1958 foi criada por Alexandre Mancini por sua profunda paixão e vocação. Ele, um apaixonado pela azulejaria brasileira, abdicou de sua vida como pequeno empresário no ramo de decoração e personalização de porcelana e vidro para dedicar-se exclusivamente a azulejaria.
Desta forma, encerrou sua empresa e criou o ateliê em sua própria casa. Sem qualquer informação de como este estilo de azulejaria seria recebido pelo mercado iniciou seu trabalho estabelecendo contato com os arquitetos e percebeu que o conceito e a estética de uma azulejaria brasileira poderia ser redescoberta e levada adiante. Prova disso são os convites para palestras, seminários e oficinas além das diversas obras executadas, ou em execução, em locais como praças públicas, capelas, residências, fachadas e etc.
Desde seu início a 1958 através de seu criador se colocou à frente do resgate e seu conseqüente caminho ao futuro da azulejaria ao abrir caminho para a informação, instigando os novos criadores a observarem a azulejaria como matéria que sintetiza arte, design e arquitetura com uma abordagem totalmente brasileira.
Porque azulejaria brasileira e não portuguesa?
Em primeiro lugar deve ser evidenciado a importância da azulejaria portuguesa, não só em Portugal, mas também no Brasil. Se hoje falamos sobre azulejos isto se deve aos nossos colonizadores que há séculos nos mostrou este revestimento. Rio de Janeiro, Salvador, Fortaleza, Recife, São Luiz são cidades brasileiras que carregam esta herança em tons de azul.
Entretanto, a importância do Brasil na azulejaria portuguesa é maiúscula. Segundo alguns historiadores é brasileira a invenção da azulejaria nas fachadas dos edifício, isto devido aos motivos climáticos típicos dos trópicos – umidade, sensação térmica, reflexão da luz – e também por motivos de afirmação social e status. Este novo uso foi levado a Portugal pelos imigrantes que retornaram ao país natal, principalmente os portuenses. É também creditado ao Brasil boa parte do sucesso da indústria azulejar portuguesa tanto por ter oferecido demanda de produção .
No Brasil, o início do século XX mostrou um certo repúdio ao estilo colonial e um privilégio ao estilo europeu de arquitetura fazendo com que a azulejaria encontrasse algumas décadas de esquecimento. Seu retorno efetivo, mas de forma brasileira, aconteceu em 1937(?) quando da construção do Edifício do Ministério de Educação e Saúde (MES) no Rio de Janeiro, por sugestão de Le Corbusier a Lúcio Costa e sua equipe, com a colocação de cinco painéis em áreas nobres do espaço de Portinari e Paulo Rossi Osir.
Junto ao edifício que marcaria oficialmente o início do movimento de arquitetura moderna no Brasil nasceu o mais importante ateliê de azulejaria que já vimos: a Osirarte. Criada para atender à demanda dos painéis do edifício do MES o ateliê congregou nomes de peso de nossa arte tal como Volpi, Zanine e o próprio Rossi Osir e foi responsável pela execução de inúmeros painéis de azulejos em todo o Brasil como, por exemplo, da Igreja de São Francisco na Pampulha, de Portinari.
Deste ponto em diante a azulejaria adquiriu traços, formas e espaços genuinamente brasileiros. Ao não recusar a influência portuguesa nos diversos aspectos de nossa cultura e, ao contrário, assimilá-la, os arquitetos e artistas brasileiros tiveram liberdade de seguir adiante para, paradoxalmente, influenciar a azulejaria em Portugal, renovando-a e apresentando novos caminhos de expressão.
Os anos 40 e 50 no Brasil foram pródigos no encontro entre arte e arquitetura. Viram Cândido Portinari encontrar nos azulejos o suporte ideal para sua expressão no Muralismo, sempre ligado a grandes arquitetos; viram cidades como Cataguases, Rio de Janeiro e Belo Horizonte criar seus novos e fundamentais patrimônios; e viram o seu auge na construção da Nova Capital: Brasília, que tão bem sintetizou este movimento.
É justamente em Brasília que o encontro entre arte e arquitetura atingiu seu ápice, algo até hoje incomparável. E como representação maior deste conceito sublinha-se a parceria entre Oscar Niemeyer e Athos Bulcão, este último que havia sido assistente de Portinari na criação do painel da Igrejinha da Pampulha e foi descoberto pelo primeiro quando freqüentava o ateliê de Burle Marx. Curiosamente a primeira proposta de parceria entre os dois nunca foi executada: um painel de azulejos para o Teatro Nacional de Belo Horizonte, obra nunca realizada.
Outros grandes artistas fizeram parte da história de nossa azulejaria como o arquiteto português Delfim Amorim, Burle Marx, Anísio Medeiros, Djanira, Volpi, Paulo Werneck, Poty Lazzarotto, Mario Zanine, Mário Silésio, Zenon Barreto entre tantos outros nomes que compreenderam e levaram adiante, de forma única, os ensinamentos de nossa matriz portuguesa.
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